03/08/2008

A minha Aldeia ....Bustelo-Chaves

Bustelo - Chaves - Portugal

.

Mais um Domingo, mais uma aldeia. Hoje é a vez de Bustelo, aldeia e freguesia.

A sua proximidade da cidade, faz com que entre a aldeia e Chaves, não haja praticamente separação física, sendo na prática mais uma freguesia urbana, aquela que fica a seguir a Santa Cruz/Trindade. No entanto e embora esta proximidade, continua também com a sua ruralidade que lhe é conferida pelo amanho de terras férteis, na planície alta de Chaves que se desenvolve entre pequenas montanhas desde a Torre de Ervededo até Curalha, passando por terras de Sanjurge, Soutelo e Valadanta. São terras férteis, que embora sem regadio, não tem falta de água, principalmente as de Bustelo, onde à boa maneira rural, ainda é frequente ver a água a correr junto aos caminhos.

.

.

A freguesia estende-se ao longo de 9.34 km2, a maioria solo agrícola e embora a aldeia ao longo destes últimos 20 anos tenha crescido, com novos bairros de habitação e algumas construções ao longo da estrada municipal que liga a Chaves, a verdade é que também perdeu população nestes últimos 20 anos, pelo menos os números dos Censos para aí apontam, com 585 habitantes em 1981 e 517 h em 2001. Perda de população que, comparativamente com a maioria das aldeias, não tem qualquer significado, pois continua a ser uma aldeia habitada, com vida, ainda com muitas crianças e gente jovem. 50 crianças com menos de dez anos (em 2001), o número diz tudo.

.

.

Quanto ao casario, digamos que também não vai mal, com muitas reconstruções e recuperações e casas novas. Claro que no seu núcleo também há casario abandonado e outro a precisar de obras, mas comparado com aquilo que é habitual na maioria das aldeias, Bustelo até se recomenda. Ao todo, ainda segundo o Censos 2001, a aldeia possui 318 alojamentos para 180 famílias. Parece haver contradição de números, mas não há, pode acontecer, o que aliás é comum nas aldeias, uma família ter mais que uma construção.

.

.

Dando uma volta, mesmo que apressada pela aldeia, nota-se facilmente a sua vida, que é reflectida também no equipamento desportivo e de lazer de apoio à aldeia, onde existe um polivalente para a prática das mais variadas modalidades e bem juntinho a este, um pequeno um simpático parque de lazer ou de merendas, à sombra de imponentes sobreiros e muitos carvalhos, onde não faltam grelhadores, mesas e bancos.

.

.

Quanto ao casario da aldeia, no seu núcleo, ainda há muito do casario tradicional em granito, mas também casario mais recente, e outro que com base no granito, foi sofrendo ao longo dos tempos algumas transformações e adaptações. Também há casas senhoriais, como a casa do paço, no cimo da aldeia, habitada e em bom estado de conservação, onde se adivinham simpáticos jardins e zonas de estar ao ar livre, pelo menos a julgar pela aparência e por aquilo que se vê da rua.

.

.

Mais abaixo, quase na entrada do núcleo da aldeia e na rua principal existe outra construção também senhorial, que suponho ter sido dividida ao longo dos tempos, apresentando-se metade em bom estado de conservação onde são notórias obras de restauro recentes, penso que habitada, pelo menos ocasionalmente e na continuação desta, a outra metade, a pedir e necessitar de obras interiores mas que, os seus proprietários não as fazem porque a querem preservar. Parece uma contradição, mas quem conhece a realidade da casa em questão, facilmente compreende que não há qualquer contradição, pois as suas velhas paredes estão quase todas elas pintadas com frescos, além de um dos compartimentos ser uma autêntica capela, com direito até a uma preciosa imagem de Nossa Senhora da Piedade.

.

.

Compreende-se assim o porque dos proprietários não quererem fazer obras no seu interior, pelos menos “obras tradicionais”, ou seja daquelas que se manda tudo abaixo para fazer de novo. Os proprietários, sem saberem mesmo qual a origem dos frescos, a sua data e até o que eles representam, sabem que aquilo tem valor e não se aventuram com obras, entretanto vão esperando…

A verdade seja dita, vi os frescos e, sem perceber nada do assunto, entendi logo que aquela gente neles representada não é gente da nossa, o que (para mim) aumenta ainda mais o seu interesse, não só no que eles representam como também em quem os pintou ou mandou pintar.

.

.

Quanto ao frescos, como leigo na matéria, recorri a um amigo e também colaborador deste blog, que após um breve estudo sobre o assunto me disse que “as imagens orientais dos frescos talvez se tenham inspirado na batalha de Aboukir (1799; há outra, naval, com o mesmo nome, de 1798) ou mesmo no massacre de Scio (1822), embora esta última hipótese seja mais improvável. De qualquer modo, está fora de dúvida que as imagens serão da primeira metade do século XIX e que o senhor com chapéu e penachos corresponde à iconografia da Revolução Francesa (1789).”

Talvez fosse bom consultar os historiadores cá da terra sobre o assunto, ou talvez não, que às tantas ainda mandam rebocar os frescos para os preservar. (não resisti…).

Também eu não sei qual a solução para os frescos e qual o seu real valor e também eu, tal como os proprietários, também espero interessado em saber qual o seu futuro, entretanto a velha casa vai deteriorando-se dia após dia ou ano após ano.

(Obrigado Carla por nos teres aberto as portas da casa).

.

.

E para rematar o post de hoje vamos a mais um bocadinho da história e o resumo possível sobre Bustelo.

Fez parte, desde o século XIV ao século XIX, do extinto concelho de Ervededo, tendo tido nessa altura uma Companhia de Ordenanças. A aldeia, como quase todas nestas condições, aproveitou o inicio da encosta da serra para implantar as suas casas, deixando os terrenos planos e férteis para a agricultura onde produzem essencialmente, o centeio, batata, vinho e frutas, além das habituais hortas de proximidade e algum gado (pouco).

Na entrada da aldeia situa-se a capela do Senhor dos Aflitos, bonita e digna de ser apreciada e cuja festividade se realiza no segundo Domingo de Agosto. Mais no cimo do povo temos a igreja paroquial, da invocação de Santa Maria Madalena, de linhas barrocas, possui no interior belos altares adornados de esculturais colunas salomónicas em madeira, com um bonito trabalho e douradas. Do casario o principal destaque vai para a “casa do paço”. Na documentação consultada, diz-se ter sido pertença dos Marqueses de Subserra, com uma frontaria com ornatos interessantes, possui no tal jardim interior (que se adivinha na passagem) uma lindíssima fonte com três taças concêntricas sobrepostas.

.

.

Embora eu pessoalmente desconheça, encontrei ainda referências à existência, no termo da freguesia, na encosta da serra do Laspedo a rochas com insculturas rupestres ofiolatras, e também a ruínas do grosso muro do Castro que existiu no alto da serra da Bandeira.

E sobre Bustelo é tudo, só falta mesmo localizá-la para que não sabe onde ela fica, ou seja, sai-se de Chaves (centro – que antigamente era nas Freiras e que agora não se sabe muito bem onde é…) em direcção às grandes superfícies comerciais, seguindo depois a caminho do Casino ou da auto-estrada. Poderá estranhar a estrada e pensar que vai enganado, mas não, vai bem e a estrada é mesmo assim, estreita e não está nas melhores condições, mas é essa. Quando chegar à primeira rotunda de acesso ao Casino/Auto-estrada, esqueça a estrada nova e boa que vê à sua esquerda e siga em frente, pela velha e estreita. Mais à frente, irá passar por baixo da auto-estrada e logo a seguir ao cruzamento de Sanjurge ou à “moagem”do Seara, surge o desvia para Bustelo, mas à direita. Se tudo isto for confuso, o melhor mesmo é perguntar qual é a estrada para Vilar de Perdizes ou Montalegre e quando encontrar a placa com indicação de Bustelo, vira aí, não há nada a enganar…

.

.

Agora mais a sério ainda. Bustelo fica aqui mesmo ao lado, mas é uma daquelas aldeias que para se conhecer temos que ir lá de propósito ou fazer um pequeno desvio da estrada, mas para que gosta de conhecer as nossas aldeias, é mais uma a não perder, pois ainda tem o seu núcleo tradicional quase intacto, em bom estado, além de se poderem apreciar algumas das coisas que por aqui deixei descritas e outras, pois não é possível deixar por aqui tudo.

Até amanhã, de volta à cidade!



publicado por Fer.Ribeiro às 02:49

18/05/2008

O que é a Síndrome de Asperger?

Características

O que é a Síndrome de Asperger?
Quando conhecemos alguém, formamos uma opinião sobre essa pessoa. Só de a ver podemos adivinhar a sua idade e condição social. Da sua expressão facial ou do tom da sua voz podemos saber se está feliz, zangada ou triste. Se a ouvirmos falar podemos conjecturar sobre a sua formação e cultura. Da forma como se veste e da sua postura podemos descobrir qual a sua actividade profissional.

Características Principais
A Síndrome de Asperger partilha muita das características conhecidas do autismo, mas habitualmente num grau menos profundo:

O que causa a Síndrome de Asperger?
As causas do autismo e da Síndrome de Asperger não são ainda totalmente compreendidas. Muitos especialistas acreditam que as alterações do comportamento que constituem o SA podem não resultar de uma única causa.

Existe Cura?
A Síndrome de Asperger é um tipo de desenvolvimento que afecta a forma como o cérebro processa informação, e como tal não tem cura.

A importância do diagnóstico precoce?
Como as características de uma pessoa com SA não são tão vincadas como as de um autista “clássico”, e porque a síndrome ainda é desconhecida de muito técnicos e especialistas da área da saúde, uma criança pode não ser diagnosticada a não ser quando entra na escolaridade obrigatória e apresenta dificuldades de aprendizagem.

Perspectivas de Futuro?
Actualmente não existem em Portugal instituições dedicadas exclusivamente às crianças “aspies”. Algumas crianças andam nas escolas do ensino regular, onde o seu progresso depende do ambiente gerado à sua volta e do apoio e encorajamento de pais e professores. Outras frequentam escolas de ensino especial, vocacionadas para crianças com problemas mais graves de desenvolvimento.

Um pequeno dezabafo...de uma mãe com um filho Asperger...

Um pequeno dezabafo,por ele.....


O governo quer os nossos meninos nas escolas do ensino Publico ,quer que estejam numa escola inclusa,mas não dá as condiçoes necessárias, para as necessidades das crianças com deficiências, sejam elas quais forem,até está a reduzir os professores do ensino especial..........e a formaçao ?
Tambem não existe...
Sinto-me á deriva ,abandonada,desiludida, mas basta olhar para o Vitor e sinto-me renascer por ele, revigorada , com as forças recargadas...por ele nao posso baixar a guarda...

*

Todos diferentes,mas todos iguais ...Que futuro,terão?????


Todos diferentes ,mas todos com as mesmas nessecidades...

O futuro ,a Deus pertence...
Pois é mas eu nao deixo de pensar nele.
O que vai ser ti,meu filho?
Nesta sociedade tão egoista.
Neste mundo tão cruel...
Aonde estão as oportunidades para todos?
Se nem para os ditos "normais",teem saídas...


O futuro a Deus pertence...

09/04/2008

A Lareira...

A LAREIRA DO AMOR



O amor é uma lareira. Uma lareira acesa, permanente e fiável, que nos aquece ao longo da noite e do dia. Para isso temos de lhe ir deitando pedaços de lenha. Com sorte podemos colocar um tronco maior e ele ali vai queimando lentamente, de forma segura. Corremos o risco de a lareira se apagar... por isso o melhor mesmo é ir deitando umas folhas secas... umas pinhas... uns pedaços de madeira seca. Tudo é permitido, e cada um usa os truques que pode e sabe para manter a lareira acesa. A paixão é uma parte dessa lareira. É o momento em que a acendemos e as chamas sobem altas, enlouquecidas e a escaldar. Gosto desta parte. Gosto desse calor sufocante. Mas não vivo sem a lareira cheia de brasas a transmitir aquela tranquilidade quente e aconchegante. E a obrigar-nos a uma permanente atenção para que não esmoreça, não se apague. Nunca mas nunca mesmo se deve escolher lenha que não cabe na nossa lareira, ou lenha molhada e imprópria para queimar.
Também a lareira deve ser escolhida à nossa medida. Ao nosso gosto. Eu acendi algumas lareiras que acabei por encontrar a minha.

Temos que tentar manter a lareira do Amor acesa...................por mt mt tempo....

26/03/2008

Voz de Amigo


Voz de Amigo

"É a voz do gostar,
É a voz do alertar,
dizendo nas palavras,
hei! acorde...Quero te ajudar!!!
É a voz que vem com o que precisamos ouvir,
ler, perceber, interiorizar...
Quando não conseguimos ler a nós mesmos,
Quando nos falta o chão, o teto, o rumo..
Vem como um "cutucão" benigno..
Uma sacudida,
Um alerta..
Uma sirene que soa o nobre sentimento,
de luz,
imenso cuidar..
Vem com tanta verdade,
mas, com o cuidado de não magoar..
Uma voz que Deus usa,
que vem devagar..
Que inunda...
Que traz alegrias..
Que contagia..
Uma voz de anjo,
Uma voz de irmão escolhido...
Presentes e presente..
Nos dois sentidos..o de estar e,
o de jóia inestimável..
Um mestre de consciência...
Mestre paciente para ouvir,
Ser cúmplice nas dores e alegrias...
Mãos estendidas,
entrelaçadas...
Dádiva da vida...
únicos,
senhores do bem:
VOZ DE AMIGO !